Palavras de Salvação

Mensagens de Boas Novas, da Bíblia, Como as pessoas podem alcançar a vida eterna. SEJA BEM-VINDO! A PAZ DO SENHOR JESUS ESTEJA SEMPRE CONTIGO!

23.6.14

Introdução ao Novo Testamento - 56.

Continuação do post anterior.

É interessante comparar o Novo Testamento com outras obras, escritas mais ou menos na mesma época no tocante ao número e às antiguidades dos manuscritos existentes hoje em dia. Três dessas outras obras são as seguintes: Anais de Roma Imperial, por Tácito; Guerras na Gália, por Júlio César, e Guerra com Aníbal, por Lívio. Todas elas são obras sobre a história política e militar do império romano. Notemos como o Novo Testamento se compara com esses escritos, segundo se vê no quadro abaixo:

Comparação no Número de Manuscritos.

Documento

Manuscritos existentes

Anos entre a escrita original e os manuscritos mais antigos.

Anais de Roma Imperial

2

800

Guerras na Gália

10

900

Guerra com Anibal

20

300

Novo Testamento

Mais de 5.300

250; alguns manuscritos com menos de 50 anos após o original.


Na verdade, há uma abundância avassaladora de manuscritos do Novo Testamento. A evidência esmagadora, provida pelo grande número, e pela antiga data dos manuscritos em papiro, pergaminho, velino ou dos lecionários, citações e versões do Novo Testamento, fazem-nos chegar a uma inescapável conclusão; A vida, a morte, e a ressurreição de Cristo é o mais bem documentado avento de toda a história antiga.

Nosso Novo Testamento é Inteiramente Digno de Confiança. Durante quatorze séculos, o Novo Testamento existiu somente na forma de manuscritos. A maioria desses manuscritos eram guardados nos grandes templos católicos e nos mosteiros da Europa, bem como na residência de homens ricos. Porém essa situação foi drasticamente alterada quando foi inventada a imprensa por João Gutemberg, em 1437. O primeiro livro que ele imprimiu em Mainz, na Alemanha, no ano de 1456, foi a Bíblia – a Bíblia de Gutemberg, conforme ela veio a tornar-se conhecida. Em vez de ser laboriosamente copiada à mão, a Bíblia podia ser rápida e economicamente produzida às centenas. Dali por diante, todos podiam possuir seu próprio exemplar do Antigo e do Novo Testamentos.

A nossa versão João Francisco de Almeida se baseia nos melhores textos dos manuscritos gregos que se tem encontrado entre essas fontes informativas, com variações insignificantes. Entretanto, as diferenças reais entre as centenas de manuscritos gregos representam tão pouco que poderiam ocupar menos de dois terços de uma página do Novo Testamento – um milésimo do total. Esse fatomostra que todos os manuscritos procederam dos manuscritos originais. E também mostra que as pessoas que copiaram os livros do Novo Testamento fizeram-no com extremo cuidado. A harmonia entre os manuscritos é tanta que podemos afirmar com segurança que nosso Novo Testamneto representa fielmente os escritos originais ou “autógrafos“ em todos os aspectos.

Podemos contar atualmente com o Novo Testamento devido ao trabalho de muitos cristãos fiéis e dedicados – aqueles que o escreveram impulsionados por Deus; aqueles que o copiaram cuidadosamente, preservaram e transmitiram a nós; aqueles que compararam pacientemente centenas de manuscritos gregos, a fim de produzir nossas nossas modernas e exatas versões; e aqueles que o traduziram para outros idiomas. Quão incomparável tesouro é o nosso Novo Testamento! Ele nos fala sobre o nosso incomparável Salvador, sobre o maravilhoso reino que Ele veio estabelecer, sobre o poder que é conferido àqueles que servem ao Senhor, e sobre a glória que compartilharemos com Ele para sempre. Estudemos o Novo Testamento com diligência. Entesouremos sua mensagem em nossos corações, nsinemos aos outros as suas verdades com a mais plena convicção, sabendo que ele é a ativa, viva e transformadora Palavra de Deus.

Continua no próximo post.

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14.5.14

Introdução ao Novo Testamento - 55.

Continuação do post anterior.

A partir do quarto século da nossa era, os livros do Novo Testamento começaram a ser copiados em pergaminho e em velino, materiais mais duráveis (e dispendiosos), feitos com peles de animais. Esses também eram feitos na forma de códices. Há mais de 270 manuscritos unciais (escritos com letras gregas maiúsculas em pergaminho ou velino; e mais de 2.790 manuscritos minúsculos (escritos em letras gregas cursivas ou ligadas entre síi). Cinco dos mais importantes desses manuscritos estão alistados no quadro abaixo:

Manuscritos em pergaminho ou velino do Novo Testamento.

Nome

Data

Porções incluídas no Novo Testamento

Códex Vaticanus

Meados do século IV

Porções do Novo Testamento

Codex Sinaiticus

Fim do século IV

Novo Testamento inteiro

Códex Alexandrinus

Começo do século V

Quase todo o Novo Testamento. Faltam dois capítulos de Mateus, dois de João e maior parte de 2 Coríntios.

Códex Washingtonianus

Fim do século IV ou começo do século V

Mateus, Marcos, Lucas e João

Minúsculo 33

Século IX

Evangelhos, Atos, Epíostolas

Primeiras Traduções e Versões. Pouco tempo depois que os livros do Novo Testamento começaram a circular, foram traduzidos para várias línguas. Algumas dessas traduções foram feitas duzentos anos antes que o Códex Vaticanus fosse produzido. Portanto, essas traduções são um testemunho ainda anterior da existência e da forma do Novo Testamento. Cinco das mais importantes versões são descritas no quadro abaixo:

Primeiras Traduções e Versões:

Nome

Data

Língua

Porções incluídas do Novo Testamento

Latim Africano

150 d.C.

Latim

Quase todo o Novo Testamento

Diatessaron de Taciano

170 d.C.

Siríaco

Mistura dos quatro evangelhos

Siríaco Sinaítico

Século IV

Siríaco

Maior parte dos evangelhos.

Saídico

200 d.C.

Cóptico

Quase todo o Novo Testamento

Vulgata Latina

384 d.C.

Latim

Novo Testamento inteiro

Escritos dos Pais da Igreja. Além dos manuscritos gregos e de traduções para outros idiomas do Novo Testamento, há muitas citações de trechos do Novo Testamento nos escritos de vários líderes eclesiásticos, a partir do primeiro século de nossa era. As citações feitas por esses escritores mostram que os manuscritos dos livros do Novo Testamento já eram conhecidos em muitos lugares, no tempo em que essas citações foram feitas. Se todas as ciotações feitas pelos líderes eclesiásticos fossem reunidas, teríamos o Novo Testamneto quase inteiro.

Lecionários. Além dos manuscritos gregos, há várias versões e, além dos escritos dos Pais da Igreja, também há mais de 2.200 lecionários que contêm porções do Novo Testamento. Esses lecionários eram usados para a leitura pública das Escrituras, nas igrejas locais. Os mais antigos que já foram encontrados pértencem ao século sexto de nossa era.

Assim é que existem pelo menos 5.300 manuscritos que incluem todo o Novo Testamento ou porções do mesmo, se contarmos os manuscritos gregos em papiro, pergaminho e velino, e também os lecionários para uso das igrejas.

Continua no próximo post.


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12.4.14

Introdução ao Novo Testamento - 54.

Continuação do post anterior.

A Formação do Novo Testamento (Continuação).

Foi Fielmente Preservado e Transmitido. Vimos nos post anteriores como o Novo Testamento foi formado. A partir de agora consideraremos as evidências disponíveis de que o Novo Testamento foi cuidadosamente copiado e transmitido a nós, tal e qual seus livros foram originalmente escritos. Ao estudarmos essa evidência, descobriremos as razões pelas quais podemos ter a certeza de que o Novo Testamento é um registro digno de confiança sobre a vida de Jesus e os ensinamentos dos apóstolos.

É verdade que nenhum dos manuscritos originais dos livros do Novo Testamento existe mais – por exemplo, a primeira epístola aos coríntios que Paulo mesmo escreveu. Entretanto, muitas centenas de cópias dos mesmos têm sido encontradas e preservadas. Algumas dessas cópias procedem de tempos tão remotos quanto o segundo século da nossa era. Esses manuscritos podem ser divididos em quatro grupos básicos: os papiros e pergaminhos gregos, as traduções e versões, as citações feitas pelos líderes eclesiásticos e os lecionários ou lições de leitura, usados nas igrejas locais.

Os Papiros e Pergaminhos gregos. Conforme você deve saber, os escritores do Novo Testamento escreveram originalmente no idioma grego. Os livros, as epístolas originais e as primeiras cópias dos mesmos foram escritos em um material chamado papiro. Mais tarde fizeram-se cópias num material chamado pergaminho.

O papiro era um material para escrever feito com as folhas da cana de papiro, que cresce no Egito. A princípio, os manuscritos foram escritos em rolos de papiro. Posteriormente, folhas separadas eram cortadas e costuradas, formando um volume chamado codex, semelhante a feitura dos livros modernos. O papiro não era dispendioso mais era frágil. Em climas secos, como o do Egito, as folhas de papiro podem perdurar por centenas de anos, mas em climas úmidos, essas folhas estragam-se facilmente. A despeito da sua fragilidade, contudo, sobreviveram até nós, cerca de oitenta e oito manuscritos de papiro. O mais antigo manuscrito de papiro que já foi encontrado é o papiro Rylands 457 (P52). Vem da primeira metade do Século III d.C., e contêm trechos do evangelho de João. Se o evangelho de João foi escrito no final do século I d.C. (cerca de 95 d.C.), então isso significa que esse fragmento vem de um manuscrito produzido menos de cinquenta anos antes.

Seis dos mais importantes manuscritos em papiro são descritos resumidamente na tabela abaixo. (Nota: Os manuscritos em papiro são referidos pela letra P, com um número. Algumas vezes é incluído o nome do indivíduo que descobriu o manuscrito).

Número e Nome

Data

Porções incluídas do Novo Testamento

P52 Rylands Papiro 457

Começo do Século II

João 18.31-33, 37,38

P75

Século II

Maior parte de João1-5,8,9; partes de 6,7,10-15; Lucas 3-24

P13

Século III

Hebreus 2.14-5.5; 10.29-11.13; 11.28-12.17.

P45 Chester Beatty I

Século III

Porções de Mateus, Marcos, Lucas, João e Atos.

P46 Chester Beatty II

Século III

Maior parte das epístolas de Paulo, exceto Filemom e as pastorais; Hebreus.

P47 Chester Beatty III

Século III

Maior parte do Apocalipse 9.10-17.2.

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26.3.14

Introdução ao Novo Testamento - 53.

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Continuação do post anterior.

A Formação do Novo Testamento (Continuação).

Aparecimento de Outros Escritos. Os vinte e sete livros de nosso Novo Testamento não foram os únicos escritos sobre Cristo e Seus apóstolos que foram compostos durante os primeiros cento e cinquenta anos de existência da Igreja. Disse Lucas na introdução ao evangelho que tem o seu nome: “… tendo, pois muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre vós se cumpriram” (Lucas 1.1). Paulo advertiu aos crentes de Tessalônica que não dessem crédito a qualquer carta que entrasse em contradição com o que ele dissera, sobre o dia do Senhor, mesmo que tal carta supostamente tivesse sido escrita por ele (2 Tessalonicenses 2.2).

Posteriormente, apareceram escritos como 1 Clemente (96 d. C.), a Epístola de Barnabé (130 d. C.), o Ensino dos Doze Apóstolos (120 d. C.) e o Pastor de Hermas (140 d. C.). Esses escritos tinham natureza devocional e eram altamente respeitados em algumas igrejas locais. Nos séculos II e III d.C. apareceu um considerável número de outros escritos, que também se afirmavam inspirados. Entre eles temos os Atos de Pedro, o Apocalipse de Pedro, e o Evangelho de Tomé. Diante dessa caótica situação, os líderes da igreja precisavam declarar quais livros deviam ser aceitos por todos como produtos autênticos do Espírito Santo.

A Lista de Márciom (140 d.C.). Juntamente com o aparecimento de outros escritos, houve a crescente influência da lista incompleta da lista de Márciom. Márciom foi um falso mestre que aceitava somente o evangelho de Lucas e dez das epístolas de Paulo – depois de ter retirado dos mesmos tudo quanto ele não aceitava. Ele rejeitava os outros livros que já haviam sido reconhecidos pela maioria dos líderes como livros inspirados, e tinha obtido muitos seguidores, que aceitavam a sua lista incompleta. Os líderes da igreja precisavam afirmar a autoridade dos livros repelidos por Márciom.

A Perseguição movida por Diocleciano. Um outro fator que contribuiu para a formação do cânon do Novo Testamento foi um lei baixada pelo imperador Diocleciano, em 303 d.C. De acordo com essa lei, todos os livros sagrados teriam que ser queimados. Isso tornou urgente que os líderes da Igreja reconhecessem formalmente aqueles livros que deveriam ser preservados e protegidos da destruição.

Um acontecimento significativo na formação do cânon do Novo Testamento foi o Terceiro Concílio de Cartago, realizado em 397 d.C. Concílios eclesiásticos anteriores já se haviam reunido em diversos lugares, como o Concílio de Nicéia (325 d.C.), o Concílio de Laodicéia (363 d.C.) e o Concílio Damasiano (382 d.C.), e várias listas de livros do Novo Testamento haviam sido produzidas. Entretanto foi no Terceiro Concílio de Cartago que se fez a primeira declaração formal dos livros considerados canônicos, isto é, que fazem parte do cânon do Novo Testamento. Essa declaração envolve uma lista de todos os vinte e sete livros contidos em nosso Novo Testamento, nem mais e nem menos.

Cada livro incluído no cânon do Novo Testamento precisou satisfazer a todos os seguintes testes:

1. Apostolicidade. Seu autor precisava ser um apóstolo ou pessoa intimamente associada a um apóstolo.

2. Espiritualidade. Precisava ter um caráter espiritual e moral de modalidade mais elevada, concentrando a sua atenção sobre a pessoa e a obra de Cristo.

3. Universalidade. Precisava ter sido aceito pela Igreja como um todo.

4. Inspiração. Precisava encerrar as evidências inequívocas de que fora inspirado pelo Espírito Santo.

É importante observarmos que os líderes eclesiásticos jamais poderiam fazer um escrito qualquer se tornar parte do cânon. Ou certo livro ou epístola era inspirado pelo Espírito Santo, e, portanto, autoritativo devido ao seu próprio conteúdo, ou não. A tarefa dos líderes era reconhecer os escritos que mereciam o caráter de posição canônica, para serem incluídos no cânon. É evidente, porém, que o Espírito Santo guiou esses líderes, porquanto os livros que eles reconheceram têm resistido ao teste dos séculos e têm sido suficientes para cada necessidade da igreja.

Continua no próximo post.

8.3.14

Introdução ao Novo Testamento - 52.

Continuação do post anterior.

A Formação do Novo Testamento.

Porque o Novo Testamento contêm somente os vinte e sete livros que conhecemos, e não outros? Como esses livros foram transmitidos? Que evidências existem para mostrar que atualmente eles se encontram na mesma forma em que foram escritos, mil e oitocentos anos atrás? Vamos procurar respostas para essas perguntas. Veremos como o Novo Testamento foi formado. Vocês se familiarizarão com as evidências de que dispomos de que esses livros nos foram transmitidos com exatidão. Os fatos que mostraremos o ajudarão a perceber que você pode depender do Novo Testamento com a certeza absoluta de ter a mais completa confiança no Novo Testamento, ao procurar servir ao Senhor e viver para Ele.

Formado Sob a Inspiração Divina. O Espírito Santo não somente inspirou os escritores do Novo Testamento como também guiou a Igreja na formação e na transmissão do Novo Testamento. A formação do Novo Testamento foi um processo que continuou por vários anos, depois que os próprios livros foram escritos. Esses livros circularam, foram reunidos formando coletâneas, foram usados pelos líderes eclesiásticos e foram oficialmente reconhecidos pelos concílios da Igreja.

Livros Escritos por Homens Escolhidos. Não muito depois da ascensão de Jesus aos céus, Deus impulsionou certos homens para que escrevessem os livros que você já conhece, ao conjunto dos quais chamamos de Novo Testamento. A princípio, os apóstolos pregaram com base em sua própria experiência com Cristo, mostrando como Ele cumprira em Sua pessoa as profecias do Antigo Testamento (Veja Atos 2.14-41; 3.17-26; 7.2-53; 8.26-35, por exemplo). Em seguida, Pedro, Paulo e outros escreveram epístolas a diversas igrejas e indivíduos, a fim de confirmar por escrito àquilo que já haviam explicado através da pregação e do ensino oral. Mais tarde, Mateus, Marcos, Lucas e João escreveram os evangelhos, para que os crentes contassem com um registro exato da vida e dos ensinamentos de Jesus, e Lucas escreveu o livro dos Atos. Finalmente, o apóstolo João recebeu ordem para escrever as coisas que Deus lhe revelara, a fim de mostrar aos crentes o que teria lugar no futuro (veja Apocalipse 1.1,11). A coletânea inteira dos vinte e sete livros do Novo Testamento foi produzida entre 49 d.C. e 95 d.C.

Coligidos Pelos Crentes. Algumas igrejas locais trocaram as epístolas que haviam recebido (Colossenses 4.16). Não há que duvidar, porém, que essas cartas finalmente foram devolvidas aos seus proprietários originais, porquanto eram altamente valorizadas. Foram feitas cópias dos vários escritos, e antes de muito tempo, as igrejas de muitas cidades possuíam essas cópias.

Não muito tempo depois que os escritos separados começaram a circular e a ser copiados, alguns dentre eles foram reunidos em coleções. No próprio Novo Testamento, Pedro escreveu sobre as epístolas de Paulo como se elas já fossem uma unidade reconhecida (2 Pedro 3.15,16). Têm sido encontrados manuscritos nos quais todas as epístolas de Paulo aparecem formando unidade. Além disso, parece que os quatro evangelhos, com freqüência eram reunidos em grupo. Algumas vezes, o livro de Atos dos Apóstolos fazia parte do grupo desses livros. Outras coleções semelhantes foram feitas, depois que os livros foram escritos, e não demorou muito para que todos os livros do Novo Testamento estivessem reunidos em uma só coletânea. Há um importante manuscrito, pertencente ao século IV d.C., que contêm o Novo Testamento inteiro.

Reconhecida Pelos Líderes Eclesiásticos. Os livros do Novo Testamento foram reconhecidos como Palavra de Deus por aqueles que os receberam. Conforme já vimos, Pedro reconheceu os escritos de Paulo como Escritura (veja 2 Pedro 3.15,16). Em 1 Timóteo 5.18, Paulo aplica o termo Escritura tanto a uma citação tirada do Antigo Testamento – “Não atarás a boca ao boi quando trilhar”: (Deuteronômio 25.4) - quanto a uma declaração de Jesus: “digno é o obreiro de seu salário” (Lucas 10.7). Tanto Paulo, quanto João esperavam que suas epístolas fossem lidas à congregação, conforme era costume ler as Escrituras do Antigo Testamento nas sinagogas (1 Tessalonicenses 5.17; Colossenses 4.16 e Apocalipse 1.3).

Nos anos que se seguiram à escrita e circulação dos livros do Novo Testamento, outros líderes eclesiásticos, em diferentes lugares os reconheceram como a Palavra de Deus. Citaram vários dos livros do Novo Testamento em seus escritos, conferindo-lhes o mesmo respeito dado às Escrituras do Antigo Testamento. Esses líderes não somente citaram os livros do Novo Testamento ou aludiram a eles, mas também dependiam deles quando se opunham aos falsos mestres. Irineu e Orígenes, por exemplo, apelaram para os escritos do Novo Testamento quando escreveram contra os erros do gnosticismo. O uso que esses líderes eclesiásticos fizeram dos livros do Novo Testamento mostra o grande valor que eles lhes davam.

Reconhecidos Pelos Concílios da Igreja. Quase no final do século IV d.C., os líderes eclesiásticos reconheceram formalmente os livros que eram aceitos como inspirados. Os livros aceitos foram considerados pertencentes ou formadores do cânon das Escrituras, isto é, o conjunto de escritos que são divinamente inspirados e autoritativos. Três foram as razões principais por que foi feito esse reconhecimento formal: 1) o aparecimento de outros escritos, que alguns também aceitavam como obras escritas inspiradas; 2) a influência da lista ou cânon incompleto de Márciom; e 3) a perseguição movida por Diocleciano.

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20.2.14

Introdução ao Novo Testamento - 51.

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Sujeito ao Poder da Palavra de Deus. Para a formação da vida cristã não é suficiente um contato, por assim dizer, formal com a Escritura. O cristão deve expor-se, em um encontro pessoal, ao ímpeto e à força, à ação julgadora e salvadora da Palavra de Deus. Ele o conseguirá lendo-a e ouvindo-a com o espírito atento, detendo-se quando ela o atingir, deixando-a dominar e ocupar o seu coração. Então a Palavra de Deus lhe falará e ele, por sua vez, responderá com a vida e com as obras. Nos Livros Sagrados, com efeito, o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro dos seus filhos e com eles fala. E é tão grande o poder e a eficácia que se encerra na Palavra de Deus, que ela constitui sustentáculo e vigor para a Igreja, e, para os seus filhos, firmeza da fé, alimento da alma, pura e perene fonte de vida espiritual A Bíblia fala uma linguagem concreta e existencial. Ela indica o caminho da vida no serviço de Deus e dos homens e na cooperação responsável para a edificação deste mundo. Quem se submete à sua palavra, pode constatar, especialmente a respeito do Novo Testamento, o que Paulo diz do Antigo: “Ora, o que foi escrito no passado tudo foi escrito para a nossa instrução, a fim de que, pela paciência e a consolação que nos dão as Escrituras, nutramos a esperança.” (Romanos 15.4). Considera dirigida a si a exortação do Apóstolo (2 Timóteo 3.15ss): “Desde criança conheces as Sagradas Escrituras, que te podem instruir para a salvação, mediante a fé que está em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para convencer, para corrigir, para formar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja bem provido e preparado para todas as obras boas”. A existência cristã se alimenta, antes de tudo, da palavra de Deus.

Oferecimento aos Homens. Hoje a Igreja não pensa que deva guardar o seu livro como um tesouro escondido, do qual os outros não possam se aproximar. Desde o começo da sua caminhada ela estava convencida, e via nisso uma disposição do seu Senhor, que a sua missão e a sua mensagem eram destinadas ao mundo inteiro. Mas, se a sua pregação deve chegar a todos, deve ser acessível o livro no qual a mensagem foi original e normativamente fixada e sustentada pela autenticidade apostólica. A Bíblia está destinada a tornar-se o livro da humanidade

Esperança de unidade. Se todos os homens se dispusessem a viver deste livro ter-se ia dado um passo importante na direção da unidade. Se isso vale para a grande família humana, vale com maior força para a própria Igreja. A cristandade acha-se dividida em muitas comunidades de confissões diferentes, Lamenta ela profundamente esta cisão e anseia ardentemente pela unidade da única Igreja de Cristo. Não constitui a Escritura uma esperança e um estímulo? Não é ela, especialmente o Novo Testamento, reconhecida por todos como fundamento e norma da sua fé? Certamente muitas vezes na sua história a cristandade suportou a amarga experiência de hereges que apelavam para a Escritura; ela se presta, com efeito, a falsas interpretações, contra as quais não tem proteção. O Concílio Vaticano II manifestou, no entanto, a firme esperança de que seja possível, baseando-se na Bíblia, estabelecer com os irmãos separados, uma colaboração que prepare a unidade. A Igreja convida a fazer traduções da Bíblia em comum, tendo por base o mesmo texto original, e espera que deste trabalho provenha uma leitura e uma compreensão comuns, fundados na mensagem à qual todos se sentem vinculados. Pode-se afirmar que neste campo tentou-se um novo avanço, abriu-se uma porta e que as iniciativas práticas podem ser o sinal de desenvolvimentos teológicos de grande alcance. Está, pois, em consonância com a Bíblia a grande esperança de que ela, sendo um bem comum de todos, prepare o caminho para a unidade. Se a cristandade se reunificar em torno da palavra de Deus, a Escritura poderá exercer uma função unificadora também na humanidade. Para atingir essa meta é necessário ouvir ainda muitas vezes a palavra de Deus com paciência, respeito e desapego de si mesmo

Força conquistadora. A Igreja está convencida de que a palavra de Deus contida na Escritura tem uma missão a desempenhar também entre os não cristãos. Ela confia na sua força conquistadora, que pode ser eficaz mesmo onde não há possibilidade de pregação oral da mensagem cristã ou onde ela não tem resultado. Hoje também os cristãos católicos consideram missão sua, o que entre os protestantes é realidade há longo tempo e em escala mundial: a difusão da Bíblia também entre os não cristãos. Naturalmente ainda aqui deve-se dar ênfase e preferência ao Novo Testamento, no qual se encontra com mais clareza a mensagem da Igreja. É o que prescreve a constituição Dei Verbum: “Além disso, façam-se edições da Sagrada Escritura, munidas de anotações apropriadas, para uso também dos não cristãos e adaptadas às condições deles; e tanto os pastores de almas como os cristãos de qualquer estado, inteligentemente, tratem de difundi-las de todos os modos”. Desse modo Cristo será conhecido e estará presente entre aqueles que não pertencem à sua Igreja, talvez só por vestígios, mas sempre de modo que possa agir pelo seu Espírito onde quiser. Talvez essa perspectiva possibilite uma nova compreensão da missão cristã, fundada não exclusivamente em estruturas hierárquicas. Com essa palavra do Concílio pode parecer que a Igreja tenha renunciado ao monopólio da posse e leitura da Bíblia. Certamente atrás da sua declaração se encontra a fé e a certeza de que a palavra de Deus, atuante e viva, é um oferecimento da salvação feito a todos os homens.

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31.1.14

Introdução ao Novo Testamento - 50.

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Mensagem Neotestamentária e Liturgia. Liturgia pode ser entendida com a organização e o desenvolvimento do culto público e seus rituais, instituídos pela Igreja. Cada igreja organizada institui a sua própria liturgia. O Novo Testamento impregna a liturgia com as leituras e os textos acessórios. O seu entrelaçamento é mais estreito na comemoração litúrgica do mistério de Cristo, na ceia do Senhor. Aqui, o relato da instituição, entremeado de passagens da última ceia, caracteriza e constitui o ponto culminante da ação sagrada. A oração do Senhor, tirada do evangelho de Mateus, se transforma na súplica que a comunidade eleva a Deus, antes do banquete eucarístico. Muitos textos do Novo Testamento são usados para acompanhar o desenrolar da ação sagrada.

A palavra de Deus do Novo Testamento tem uma posição central na liturgia da palavra. Ao lado da leitura das cartas apostólicas, é sobretudo a voz do evangelho que prende a atenção da comunidade. No evangelho ela ouve com prestimosa disponibilidade a palavra do seu Senhor, que lhe oferece em seguida, sobre as aparências de pão e vinho, a participação em si mesmo, na sua morte e na sua vida. Pode-se dizer que a liturgia e o ofício divino estão inundados da palavra de Deus tirada da Escritura, principalmente do Novo Testamento. Aqui a Igreja usa o seu livro de um modo amplo e vivo.

Só a tomada de consciência de que no culto da Igreja a palavra de Deus do Novo Testamento impregna o centro da ação litúrgica não é suficiente para que se compreenda como a liturgia e a Escritura se acham profundamente correlacionadas. A proclamação da Palavra de Deus no culto não é uma introdução à celebração como tal, como se fosse uma simples pré-celebração. A sua significação e a sua finalidade vão mais além: os fiéis devem ser plasmados pela palavra de Deus como serão confortados com o corpo e o sangue do Senhor. A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, da mesma forma como o próprio Corpo de Senhor, já que, principalmente na Sagrada Liturgia, sem cessar toma da mesa tanto da palavra de Deus quanto do corpo de Cristo, o pão da vida, e o distribui aos fiéis. Com esta imagem vigorosa e profunda – da época apostólica e já comum no tempo dos discípulos de Cristo – a Igreja repôs em evidência o nexo essencial entre palavra de Deus, liturgia e comunidade celebrante, nexo obscurecido durante algum tempo por outras ideias. Ela implica também uma indicação e a importante aceitação de um dever e de um encargo, dos quais não se pode dizer que no decorrer dos séculos foram desempenhados, no tocante à Sagrada Escritura, do mesmo modo por que o foram no tocante à Eucaristia. Mas agora se tornou novamente claro que a Igreja é a comunidade do corpo de Cristo e da Palavra de Deus. Nas duas modalidades o Senhor vem ao seu encontro, se faz presente e se transforma para os seus em pão da vida. A comunidade cristã quer viver da palavra e do corpo do Senhor. Por isso ela dá grande importância à pregação litúrgica, cuja finalidade é trazer aos ouvintes a palavra pronunciada em um tempo distante. Ela confia na força atuante da palavra divina, que percorre o seu caminho até atingir a meta.

O Novo Testamento e o Cristão. O cristão tem acesso a palavra de Deus em primeiro lugar e preferencialmente pela vida eclesial, mediante a qual entra em contacto com ela através da liturgia e da pregação, recebe explicação para entendê-la e para compreender a sua própria situação. Ele percebe que depende da comunidade dos fiéis para compreender a Sagrada Escritura, que é, de fato, o livro da comunidade o qual somente ela pode interpretar com exatidão e objetividade. Hoje, porém, isso não basta para quem deseja viver a palavra de Deus. É necessário acrescentar o esforço pessoal, a leitura meditada da Escritura. Assim, pois, que pela leitura e o estudo dos Livros Sagrados seja difundida e glorificada a palavra de Deus (veja em 2 Tessalonicenses 3.1) e que o tesouro da Revelação confiado à Igreja cada vez mais encha os corações dos homens. Mas para isso é necessário que os fiéis tenham largo acesso à Sagrada Escritura. A igreja está decidida a alargar ainda mais esse acesso e a retirar as antigas barreiras, promovendo a sua tradução nas línguas modernas. A respeito da leitura da Escritura, que deve ser sempre acompanhada do esforço pessoal, sejam-nos permitidas duas observações:

Acesso a Cristo. A Bíblia leva uma vantagem insuperável sobre todos os livros religiosos, por mais belos e profundos que sejam. Ela se distingue por respirar o odor da terra do país dos pais, por fazer ressoar a voz das origens. Ela nos faz ouvir o som inconfundível da palavra dos profetas, o modo como Israel dirigia a Deus as suas preces nos dias solenes ou dolorosos; ela nos faz ouvir a voz de Jesus Cristo, transmitida pela pregação apostólica. Detenhamo-nos neste último pensamento. Em nenhum outro lugar podemos acercar-nos da pessoa e da palavra de Jesus como no Novo Testamento. O Senhor se faz visível, a Sua palavra se torna compreensível e a Sua vontade, reconhecível, também e precisamente através da interpretação que as suas testemunhas eleitas e guiadas pelo Espírito nos deram da Sua natureza e da Sua obra, do Seu pensamento e da Sua figura. Para o cristão que quer encontrar o seu Senhor e viver da Sua força e do Seu ensinamento o meio único e imprescindível é aprofundar-se na Escritura especialmente do Novo Testamento. “Ignorar a Escritura é ignorar a Cristo”, é uma citação de Jerônimo frequentemente usada.

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3.1.14

Introdução ao Novo Testamento - 49.

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Palavra Neotestamentária e Afirmação Teológica da Fé. O resultado da interpretação de textos e passagens isolados e da visão de conjunto da teologia bíblica é adaptado à compreensão das diversas épocas da Igreja pela afirmação teológica. Mas esse resultado deve ser incluído no complexo do depósito e da profissão da fé. Originam-se daí problemas particularmente urgentes e imediatos a respeito do Novo Testamento, uma vez que Cristo e a Sua obra são o conteúdo central e direto da fé. Simplificando, trata-se da relação entre afirmação exegética e expressão dogmática.

Na fixação do cânon a Igreja se guiou pela convicção de que o Novo Testamento é a norma da fé e da vida; A esta convicção ela não renuncia. Em consonância com isso a teologia estabelece o princípio segundo o qual a Escritura é sempre a regra normativa, em si mesma, não normada da verdade de uma afirmação teológica. Mas no decorrer da história da Igreja – a qual tem consciência de ser guiada pelo Espírito Santo – a compreensão de fé se desenvolveu pela reflexão teológica em união com a tradição. O problema que se põe é, pois, o da extensão e do alcance desta norma.

Compete ao exegeta investigar o sentido literal da Escritura. Ele se entrega ao seu trabalho com a prévia e necessária compreensão da fé atual da Igreja; mas não pode introduzir no texto os desenvolvimentos posteriores. Para o teólogo sistemático o ponto de partida é a compreensão da fé já desenvolvida, mas ele deve respeitar a norma. Malgrado esta esquematicidade, é claro que pode haver tensões, sensíveis especialmente quando se trata do Novo Testamento, porque ele é de modo particular o livro da Igreja.

Essas tensões não devem provocar divergências, contanto que não se conteste o direito a um desenvolvimento posterior e que não se queira ver em pleno desenvolvimento o que está em germe na Escritura. Elas podem representar um estímulo constante para se voltar sempre a interrogar a palavra neotestamentária e para repensar as explicações teológicas na base de um levantamento cuidadoso do seu conteúdo. O Novo Testamento, como a Escritura no seu conjunto, têm uma função fundamental e insubstituível para o conhecimento e a formulação da fé. Ela mantém a sua característica de norma levando a pesquisa teológica a desenvolver-se partindo sempre da origem.

Esta função não deve ser entendida como simples correção. Não deve também ser entendida no sentido tradicional da prova escriturística que, de um lado, isolava as proposições comprovantes do seu contexto, e do outro, colocava os trechos escriturísticos, como ponto de apoio antes da demonstração teológica, mas construindo esta sobre a tradição patrística, as declarações do magistério e a reflexão teológica. Para a constituição Dei Verbum a eficácia dessa orientação depende do estudo aprofundado da palavra e do Espírito da Escritura, por parte de toda a teologia. Segundo a mencionada constituição, a Palavra de Deus e a tradição não se limitam à função de base permanente sobre a qual deva apoiar-se toda a pesquisa teológica. A Escritura é apresentada também como a fonte da juventude da qual a teologia tira uma força perene. Mas a constituição dá mais um passo à frente: As Sagradas Escrituras contêm a Palavra de Deus e, porque inspiradas, são verdadeiramente Palavra de Deus; por isso o estudo das Sagradas Páginas seja como que a alma da Sagrada Teologia. Esta expressão metafórica recebe aqui a mais ampla significação graças à conexão com o decreto sobre a formação sacerdotal, que usa as mesmas palavras, para delas tirar uma conseqüência prática de sentido quase revolucionário para a sistematização da teologia. O método anterior levava a considerar a Escritura fundamentalmente sob o único aspecto de prova de afirmações preexistentes, sendo raro que se desenvolvesse um argumento na perspectiva própria da Escritura ou que se fosse buscar na Bíblia questões novas, não previstas nas afirmações doutrinárias da Igreja. Mas agora disponha-se a Teologia Dogmática de tal modo que sejam propostos em primeiro lugar os próprios temas bíblicos. Isto significa que de agora em diante a Bíblia deve ser vista, pensada e interrogada em si mesma e somente depois podem vir o desenvolvimento da tradição e a análise dogmática. Fica assim estabelecida a importância, sobretudo do Novo Testamento para a formulação das afirmações de fé. Essa importância é mais acentuada, se ainda fosse possível, quando se diz que as outras disciplinas teológicas sejam igualmente restauradas com um contacto mais vivo com o mistério de Cristo e a história da Salvação. Isso porque o mistério de Cristo e a consumação da história da salvação se encontram na Escritura do Novo Testamento.

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21.12.13

Introdução ao Novo Testamento - 48.

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A este respeito encontram-se informações já em Policarpo, que cita a primeira epístola de Pedro e a primeira epístola de João. O conceito de norma, aplicado antes às palavras do Senhor e dos apóstolos, vai passando aos poucos para os escritos. Parece que Marcião – excluído da Igreja por causa de suas idéias gnósticas e antijudaicas – contribui para essa evolução. Ele instituiu para a sua comunidade uma Sagrada Escritura rigorosamente delimitada, a qual, com inúmeros cortes e alterações, compreendia Lucas e dez cartas de Paulo. Não está provado que foi para opor-se a esta atitude que a Igreja definiu os escritos que, para ela, constituem a norma apostólica da fé, chegando assim a uma coleção bem especificada, precisamente o cânon obrigatório do Novo Testamento. Não se pode negar, entretanto, a influência exercida pela importância do valor normativo dos escritos apostólicos e pela idéia de uma coleção rigorosamente definida, contendo apenas coisas normativas ou canônicas.

Pelos fins do século II a idéia de uma coleção definida dos escritos já se tornara geral. Parece que se usava também a expressão “Novo Testamento”. Um elenco romano – o chamado “cânon de Muratori” – que enumerava os escritos aceitos e que devem ser lidos na Igreja Católica, cita os quatro evangelhos, os Atos dos Apóstolos, 15 cartas paulinas, três cartas universais (Judas, primeira e segunda epístolas de João) e o Apocalipse, e um apocalipse de Pedro, não aceito, porém universalmente. Ficam excluídas as cartas paulinas apócrifas. O cânon do Novo Testamento recebeu assim forma fixa. Os limites, porém, parecem incertos quanto às cartas e ao Apocalipse (como se vê por Irineu e Clemente de Alexandria).

Orígenes fez um inventário (253-254) confrontando a atitude de várias cidades e lugares e classificando os escritos em três grupos: indiscutíveis, duvidosos e apócrifos. A sua classificação e avaliação tiveram certamente alguma influência. Euzébio de Cesaréia (265-339) informa sobre uma aceitação maior de escritos duvidosos. Mas por muito tempo continuaram em discussão a Carta aos Hebreus no Ocidente e o Apocalipse no Oriente. Influência decisiva para a fixação definitiva exerceu a 29ª carta pascal de Atanásio (367), que cita os vinte e sete livros do Novo Testamento, únicos que ele considera canônicos, observando: “Estes são a fonte da Salvação; por isso quem tem sede faça amplo uso das palavras neles contidas; somente neles é anunciada a doutrina da piedade. Ninguém lhes acrescente nem deles tire coisa alguma. (Confira Apocalipse 22.18)”. No Ocidente este elenco canônico, foi sustentado pelo sínodo africano de 393 e por uma carta de Inocêncio I (405). Com isso fixou-se para a Igreja do Ocidente o âmbito do Novo Testamento, enquanto a Igreja do Oriente continuou hesitante, por muito tempo, a respeito do Apocalipse.

Mesmo depois desta fixação ainda se discutiu no Ocidente, durante a Idade Média e no calor da Reforma, a autoridade de alguns escritos neotestamentários. Embora a sua autoridade não chegasse a ser negada, não se lhes atribuía o mesmo peso que aos outros. Retorna aqui a questão do critério, com a qual a Igreja antiga se preocupava bastante na fixação do cânon. Este problema foi resolvido, para a Igreja Católica, no concílio de Trento, o qual confirmou o âmbito do Novo e do Antigo Testamento que vigorava na Igreja antiga. Foi condenada a subestimação ou exclusão de qualquer livro ou parte, enquanto Lutero mantinha-se em dúvida a respeito de quatro escritos (Hebreus, Tiago, Judas, Apocalipse), sem, contudo, excluí-los do cânon. Na igreja protestante atual, certamente por causa dos resultados da pesquisa histórico-crítica, tornou-se agudo o problema da exatidão e do valor permanente dos limites do cânon da Igreja antiga, sem que se veja uma possibilidade séria de outra solução.

Como a história o mostra, a Igreja esperou bastante tempo para decidir quais os livros que apresentavam um testemunho vinculante e de valor permanente sobre Jesus e a Sua obra salvífica, para separá-los dos outros, reuni-los e atribuir-lhes o valor de Sagrada Escritura. Este fato mostra que o Novo Testamento é realmente o livro da Igreja, por ela escrito e compilado e por ela administrado. Uma vez que o acerto da definição do cânon pela igreja antiga não pode ser nem contestado, nem provado com argumentos históricos, só resta ater-se ao fato. Somente a Igreja podia reconhecer quais os livros que lhe pertenciam essencialmente. Para isso contribuíram de modo decisivo a tradição e a direção do Espírito Santo do Senhor. Ela não chegou a sua decisão irrefletidamente, mas foi se esclarecendo aos poucos, enquanto ia tomando consciência de que a revelação de Deus e, por conseqüência, o Novo Testamento, mesmo sendo este obra sua, não estava sujeita às variações do arbítrio humano.

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3.12.13

Introdução ao Novo Testamento - 47.

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Norma e Cânon.

Desde o início do Cristianismo, a comunidade primitiva tinha a Sagrada Escritura da Antiga Aliança como palavra vinculante e como manifestação da vontade de Deus. Mas ela acreditava também em Cristo como último arauto da vontade de Deus, vontade esta que estava representada, mais que a Lei da Antiga Aliança, numa pessoa e numa palavra. A época apostólica não tardou em atribuir à figura salvífica de Jesus Cristo aquela autoridade, cuja força provinha da sua unidade essencial com o Deus da lei vetero testamentária (Ver João 14.10,24: 10.30).

Para a Igreja primitiva a própria pessoa de Cristo era o cânon e a norma. O seu ensinamento e a sua obra são normativos. É por isso que as palavras do Senhor são transmitidas e as circunstâncias da sua vida, conservadas e fixadas por escrito. Nos primeiros decênios depois da morte de Jesus ainda viviam as testemunhas oculares e auriculares; por meio delas a autoridade do Senhor continuava viva no presente. Depois não havia mais esse meio de ligação com Jesus; Com isso, as anotações, nas quais a autoridade absoluta, Jesus, era autenticamente garantida, tornaram-se importantes. Por isso, tudo que pudesse levar ao estreito círculo dos discípulos, isto é, dos apóstolos, no significado posterior do termo, adquiria importância e valor especiais. A pregação, agora já anotada, sobre Jesus, o Senhor, sobre a sua obra e a sua vontade, sobre a sua doutrina e as suas exigências, tornou-se norma, isto é, cânon.

Esta evolução tem o seu ponto de partida talvez no fato de que as cartas de Paulo, um dos apóstolos de Cristo, foram conservadas e reunidas em uma coleção. A literatura apostólica, mesmo no sentido amplo do termo, adquiriu uma dignidade particular. Mas a Igreja primitiva sabia também que com a ressurreição e a glorificação do Senhor a sua autoridade passara para os apóstolos, porque ele tinha confiado a eles o mistério do reino de Deus (Marcos 4.11), dando-lhes todo o poder e enviando-os ao mundo como arautos da sua mensagem de salvação (Mateus 28.16-20). Lucas considera tão importante essa atividade dos apóstolos na pregação que dedica a ela, como apêndice ao seu evangelho, um livro à parte, os Atos dos Apóstolos. O evangelho de João destaca ainda mais a importância dos apóstolos (João 17.18; 20.21). A sua pregação está intimamente ligada à palavra de Jesus. (veja Lucas 10.16: “Quem vos ouve é a mim que ouve, e quem vos rejeita é a mim que rejeita”.

Este apelo à pregação apostólica como norma se verifica de modo plenamente consciente já no período de formação da literatura neo-testamentária. Atestam-no o prólogo de Lucas (Lucas 1.1-4), 1 João 1.1 (confira João 1.14) e a referência às cartas de Paulo em 2 Pedro 3.15 e seguintes. Com esse desenvolvimento estava colocada a estrutura fundamental para a constituição da norma do Cristianismo primitivo, que se articula em três etapas: O Deus da Antiga e da Nova Aliança – Jesus Cristo – os apóstolos. Por isso 2 Pedro 3.2 exorta a recordar as coisas antes anunciadas pelos santos profetas e o mandamento do Senhor anunciado pelos apóstolos. Assim ao lado do Antigo Testamento entrou, como Escritura, a autoridade do Senhor, que em princípio se encontra de modo exatamente igual tanto nas palavras do próprio Senhor como no testemunho dos apóstolos. As três instâncias têm o mesmo valor de portadoras da divina revelação.

Já na passagem do Século I para o II a primeira carta de Clemente citava palavras do Senhor sem referência a um evangelho. Norma de fé e de vida é a palavra viva. Era, porém, inevitável que, aumentando a distância que separava dos apóstolos, aquela palavra fosse procurada nos escritos, uma vez que somente aí podia ela ser encontrada. Pelos fins do século I já devia existir uma coleção das cartas de Paulo, conhecida na Ásia Menor no começo do século II como se presume das cartas de Inácio de Antioquia. Logo depois a coleção dos quatro evangelhos começa a impor-se aos primeiros escritores cristãos. Policarpo e a segunda carta de Clemente conhecem Mateus e Marcos;

Na mesma época Pápias conhece provavelmente também João. A importância e o valor dos evangelhos canônicos crescem cada vez mais. Eles são aduzidos em separado na prova escriturística, na forma de citação usada para o Antigo Testamento. A 2 Clemente 2.2, por exemplo, cita Mateus 9.13b como palavra escriturística, e a carta de Barnabé (4.14), quase contemporâneo, faz o mesmo em relação a Mateus 22.14. Por volta de 150, o mártir Justino refere que os fatos memoráveis dos apóstolos – os quatro evangelhos – são lidos nas reuniões, ao lado dos profetas. Aqui o seu valor como Sagrada Escritura já é equiparado ao do Antigo Testamento. Deve-se admitir que Justino conhecia também as cartas de Paulo. O fato de ele destacar o Apocalipse como escrito apostólico mostra que o cânon neotestamentário estava em formação.

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